O Vereador e médico Nélio Aguiar, concedeu
entrevista exclusiva a O Impacto. Ele fala de política, lembra o
começo de sua carreira pública, que coincidiu em diversos momentos
com a profissão-sacerdócio, que é ser médico. Ele aproveita para
esclarecer a possível desunião que diziam existir entre ele e o
vereador Emir Aguiar. "No primeiro mandato de Emir, meu apoio a ele
não foi aberto, foi escancarado", lembrou. Nélio conta, também, que
é candidato à presidência da Câmara. Veja entrevista:
Jornal O Impacto: A sua experiência de médico vai
lhe ajudar na política partidária, agora que o senhor tem um
mandato?
Nélio Aguiar: Temos essa afinidade, depois de
anos de experiência lidando com a população, com gente do povo.
Desde que eu retornei para Santarém, como médico otorrino, no ano de
2000, eu sempre tive oportunidade, para mim uma felicidade, em
atender as pessoas através do Sistema Único de Saúde (SUS), quer
seja no Hospital Municipal, Regional ou nos Postos de Saúde, um
contacto direto com nosso povo, o que me fez entender que não
valeria a pena estar formado, ter uma profissão tão bonita quanto a
medicina, se os meus serviços não pudessem alcançar os mais
necessitados. Essa opção tive desde o começo da minha carreira: que
eu pudesse ser sempre acessível à população mais carente.
Jornal O Impacto: Como começou sua experiência na
política partidária?
Nélio Aguiar: Minha experiência
político-partidária surgiu no ano de 2004, quando me filiei ao PPS
(Partido Popular Socialista). Tivemos oportunidade de ajudar na
organização do partido na região e participamos da eleição
municipal. Fizemos uma coligação vitoriosa com o PT, mais o PDT e o
PSB, quando ajudamos a eleger a Prefeita de Santarém, Maria do
Carmo. Essa foi nossa primeira experiência na atividade política.
Com a vitória da prefeita Maria do Carmo, tivemos oportunidade de
participar do primeiro escalão do governo municipal, como Secretário
de Saúde, em um mandato que durou nove meses, no ano de 2005. No ano
seguinte, 2006, tivemos a primeira experiência nas urnas, disputando
uma cadeira na Assembléia Legislativa, pelo PPS, quando nós ficamos
como suplente de Deputado Estadual. Por 1.500 votos deixamos de ser
eleitos. Só em Santarém, obtive quase 10.000 votos, mais 4.600 votos
fora da cidade. Não obtivemos êxito, mas tivemos uma excelente
experiência.
Jornal O Impacto: Como surgiu sua candidatura
para Vereador?
Nélio Aguiar: Foi neste ano de 2008, já pelo
PMN (Partido de Mobilização Nacional), que nós fundamos e estamos
estruturando em Santarém, e a pedido do partido, meu nome foi
lançado candidato a Vereador e obtivemos aprovação do povo, com
4.363 votos, uma votação bastante expressiva. Somente quatro
candidatos a Vereador, nesta eleição, conseguiram votação acima de
quatro mil votos, por isso meu nome está entre os quatro vereadores
mais votados de Santarém. É bom lembrar que uma eleição para
Vereador é bem diferente do que para Deputado Estadual, pois é muito
mais concorrida e competitiva. E depois você se depara com amigos,
parentes que também são candidatos, fazendo com que a eleição seja
difícil, pois é bem dividida.
Jornal O impacto: O senhor promete ser um
Vereador diferente dos outros?
Nélio Aguiar: A gente entra na política para
realmente fazer diferença. Entro na política não por necessidade
pessoal e individual, mas por anseio coletivo do povo de Santarém,
que percebe o amor que temos pelo Município. Tive a oportunidade de
sair de Santarém, ter vivido em grandes capitais, morado em Belo
Horizonte e Rio de Janeiro, onde conhecemos realidades diferentes. E
a gente acaba trazendo essa experiência, querendo implantar o melhor
das grandes capitais para Santarém. Quem nasceu e se criou aqui não
pode se acostumar com a idéia de que Santarém é uma cidade de esgoto
a céu aberto, onde se convive com urubus nas ruas.
Jornal O Impacto: O senhor acredita que a
prefeita Maria do Carmo tem compromisso de apoiar seu nome para
presidente da Câmara Municipal de Santarém?
Nélio Aguiar: Eu acredito que a prefeita
Maria do Carmo não vai interferir na eleição da Mesa da Câmara, que
é um poder independente. O meu partido, o PMN, já demonstrou
interesse em disputar a presidência da Câmara, colocando meu nome
para essa disputa. Em conversas adiantadas, temos a simpatia de
alguns partidos, entre estes, os dois vereadores do PDT: Bruno Pará
e Marcela Tolentino; temos a simpatia do PT, com os vereadores
Carlos Jaime e Evaldo da Premac; temos conversado com o PMDB, que
nos olhou com bons olhos à nossa candidatura, não apenas a nível de
diretório municipal, com o presidente do diretório, deputado Antônio
Rocha, mas a nível de diretório estadual, com seu presidente Jader
Barbalho.
Jornal O impacto: Existe alguma divergência entre
o senhor e o vereador Emir Aguiar?
Nélio Aguiar: O que existem são boatos de que
o vereador Emir Aguiar não votaria em mim de jeito nenhum, se eu
fosse candidato à presidência da Câmara. Eu não acredito muito
nessas conversas, mesmo porque conheço o vereador Emir Aguiar desde
a época da faculdade, em Belém, quando caminhamos juntos. Nós
estivemos juntos no ano de 2000, quando de seu primeiro mandato,
quando eu dei a ele um apoio aberto, escancarado, participando
efetivamente de sua eleição. Por questões circunstanciais, não
continuamos juntos. Porém, com o resultado das eleições deste ano,
nós estamos mostrando claramente que representamos duas das
principais lideranças na colônia nordestina. Eu sei claramente que
Emir Aguiar não vai tomar decisão precipitada, até porque não tem
nada contra minha pessoa e vai escutar sua família, a sua base
política, as pessoas que ajudaram na sua eleição, e votar com
consciência para presidente da Câmara. Emir é conhecedor do
sentimento que move a colônia nordestina, que é o sentimento de
união. Nós não podemos ter duas lideranças divididas.
Jornal O Impacto: Qual sua mensagem de final de
ano:
Nélio Aguiar: "Desejo a todos os leitores de
O impacto, aos meus eleitores, familiares e amigos, votos de feliz e
santo Natal. Que a gente possa realmente refletir nesse momento
sobre o que temos feito nessa vida, do que pode melhorar como
cristão, ser humano. Que possamos ter um Natal não somente material,
nos presentes que são trocados, mas realmente um Natal espiritual,
de perdão, de humildade, que sirva para realmente lembrar do
aniversariante, Jesus Cristo, que poderia ter nascido em um palácio,
mas nasceu na manjedoura, dando um profundo ensinamento de
humildade, mostrando que nós somos iguais, seres humanos e que
ninguém é melhor que ninguém".