27 de outubro 2011 as 4:28 pm
O ENEM SUBSTITUTO DO VESTIBULAR
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Quando já se esperava o fim do vestibular para estudantes do ensino básico, principalmente os de origem de famílias carentes, que aguardavam um dia a livre entrada nas universidades, surgiu o ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) em 1998, como simples instrumento de autoavaliação da educação básica. Nos dias 22 e 23 de outubro aconteceu a aplicação das provas para cinco milhões e quatrocentos mil concorrentes ao ENEM. Tiveram que se desdobrar em uma verdadeira operação de guerra. A seleção do exame aconteceu em 123 mil e seiscentas cidades espalhadas por todo o País.
Já em 2009 houve uma inesperada mudança. Formou-se uma espécie de vestibular nacional. Aumentaram as questões das provas que eram de 63 para 180. Passaram a ser cansativas em relação a outros processos de seleção. O exame que se apresenta como a porta de entrada para universidade causa enorme ansiedade em quem se dispõe a carregar peso em uma longa caminhada, depois de concluir o ensino médio. É uma etapa significativa para quem quer alcançar o ensino superior, já que o desempenho neste nível depende do próprio aluno e da área que escolheu.
A crise nervosa toma conta de muitos receosos alunos inscritos para realizar as provas. Levam um total de nove horas para responderem as 180 questões e mais a redação. A forma como as universidades aproveitam os resultados do ENEM difere uma da outra. Umas instituições exigem o vestibular, outras utilizam o exame do ENEM como única forma de fazer a seleção. Algumas reservam apenas uma parte das vagas para o ENEM e mantém seus processos seletivos. Isto mostra que a elite dominante ainda mantém seus processos tradicionais. Fechar as portas para as classes menos favorecidas ainda é um fator de primeira ordem.
Os milhões gastos na realização do ENEM deveriam, antes de tudo, serem direcionados ao ensino básico que carece de investimentos para reforçar o ensino de qualidade e também valorizar os trabalhadores da educação. O vestibular, o ENEM e outro qualquer meio de impedir a presença de estudantes do ensino básico na universidade não condiz com o que se espera em pelo século XXI, no campo da educação. São muitos argumentos sobre os modernos avanços do ensino no Brasil, mas o domínio é do tradicional irredutível. Já está passando da hora de acabar de vez com o vestibular e o ENEM que tanto atrapalham a vida de quem quer chegar ao ensino superior na caminhada da vida.
Por: José Alves
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